Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014
PS E OS QUADROS DE MIRÓ: PREFEREM NOVO AUMENTO DE IMPOSTOS À VENDA?
O Partido Socialista vai pedir uma audição com urgência, no parlamento, do secretário de Estado da Cultura, para explicar se houve ou não pareceres negativos sobre a saída do país da colecção de arte de Joan Miró.
Os socialistas ainda não conhecem os fundamentos da sentença e mal a recebam prometem estudar judicialmente o próximo passo. Mas no plano político, o grupo parlamentar do PS vai chamar com carácter de urgência o secretário de Estado da Cultura, tendo como base o depoimento da directora-geral do Património Cultural, que terá, segundo o PS, garantido à juíza do Tribunal Administrativo de Lisboa que Barreto Xavier tinha na sua posse pareceres negativos sobre a venda dos quadros, sendo assim, é uma questão politicamente muito grave, diz a deputada do PS Inês medeiros, que tem que ser esclarecida.
"Estamos perante um caso politicamente grave e é preciso saber como é que as obras saíram do país", afirmou a deputada numa comunicação aos jornalistas.
O pedido do PS à PGR contra a venda das obras de Joan Miró, avaliadas em 35 milhões de euros, era fundamentado com a falta de classificação das
mesmas.
"Tomamos esta iniciativa parlamentar porque foram ocultados factos importantes", disse o deputado José Magalhães, lamentando "a figura horrenda" e "a imagem lamentável" que Portugal passou com "a venda ao desbarato" da colecção. Nada está perdido, acrescenta ainda o deputado, que confrontado com uma eventual comissão de inquérito sobre o caso diz apenas que é prematuro.
No entanto, elogiou o facto de as instituições terem funcionado, referindo-se à resposta rápida do Tribunal Administrativo de Lisboa a um pedido de providência cautelar feito pelo Ministério Público na segunda-feira.
As 85 obras de arte do pintor espanhol Joan Miró que se encontram na posse do Estado português desde a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), anterior proprietário da colecção, têm leilão marcado para hoje e quarta-feira em Londres, pela Christie's.
FONTE rr