Sexta-feira, 28 de Março de 2014
DOURO
"A CIM Douro considera ser insustentável a atual situação institucional e socioeconómica da região que, a manter-se, poderá conduzir a muito breve prazo a fenómenos de agitação social e à modificação de vontade que ninguém pode desejar", referem os autarcas numa moção aprovada por unanimidade na última reunião, divulgada hoje aos jornalistas.


Acusam ainda o Governo de ter "descurado completamente o território" e de, passadas três vindimas, realmente não ter sido feito "nada" pela coligação PSD/CDS-PP.

De acordo com os dados divulgados pela CIM, os cerca de 45 mil hectares de vinha do Douro produzem anualmente, em média, 260 mil pipas de mosto, "que deveriam garantir o sustento a dezenas de milhar de famílias portuguesas".

Nesta moção sobre o estado da mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo, referem ainda que a região perdeu, em receitas com o vinho do Porto, cerca de 730 milhões de euros desde 2001, ano em que produziu 155 mil pipas de mosto generoso, que vendeu por 172 milhões de euros.

Em 2013, foram produzidas apenas 100 mil pipas, que renderam à lavoura 88 milhões de euros.

A isto acrescem ainda as perdas de rendimento no vinho de mesa, que estimam em mais de 250 milhões de euros no mesmo período.

Ou seja, segundo a CIM, em 13 anos o Douro perdeu rendimentos na ordem dos mil milhões de euros.

Entre 2001 e 2011, este território perdeu ainda 10% da sua população. Neste período os trabalhadores rurais viram os seus "salários imutáveis", um fenómeno social que evidencia o "ressurgimento da pobreza na região".

Face a esta "realidade" os autarcas dizem que não podem "ficar calados" e querem unir esforços com a Casa do Douro (CD) e a União das Adegas Cooperativas do Douro (Unidouro).

"Num setor tão relevante para a economia local e nacional, exigir-se-ia que o poder político assumisse um papel de fiel da balança mais ativo, até estarem criadas as condições de regular funcionamento interprofissional que não tem representado praticamente mais do um nome ao reduzir os problemas do Douro à fixação do quantitativo do mosto a beneficiar (quantidade de vinho do Porto que pode ser produzida)", refere o documento.

Os autarcas defendem a utilização dos vinhos excedentes deste território para a produção da aguardente necessária para o vinho do Porto, a qual atualmente está a ser importada de outras regiões.

"A simples alteração desta política, no sentido do aproveitamento total dos excedentes a preços minimamente compensadores, alterará radicalmente o rendimento de cada parcela", salientam.

Por isso, lamentam que o estudo feito nesse sentido não tenha tido continuidade, bem como criticam que o conselho interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) tenha "autorizado o uso de aguardente vitícola em momento em que se impunha manter apenas a aguardente vínica".

Recentemente, o Governo anunciou ainda alterações aos estatutos do CD, libertando os viticultores da inscrição obrigatória naquele organismo o que dizem que "redundará necessariamente numa divisão da produção e maior deterioração do seu poder negocial".
FONTE: Notícias ao Minuto

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publicado por citando às 10:40
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