
Três arquitectos desempregados no Porto serviram de guias ao jornalista do BBC. Preocupados com o impacto da austeridade na zona histórica do Porto, apelidaram esta visita como “a pior excursão”.
Ao longo da reportagem, que mostra vários edifícios antigos, e depois de iniciar com um plano geral da cidade onde se observa o Rio Douro, o jornalista começa por explicar que, “em vez de levarem os ‘turistas’ às famosas lojas de vinho e sítios turísticos históricos, os arquitectos optaram por levá-los aos piores lugares da cidade”.
Não menos de 70 mil edifícios estão agora abandonados no Porto e centros comerciais inteiros encerraram. Retrata o jornalista do BBC, que o Porto “é uma jóia fotogénica na coroa do País, que é quase como se estivéssemos a entrar numa mini Havana”.
Passeando com os arquitectos pelos recônditos da cidade, a principal conclusão que o jornalista realça da “viagem” é a de que a diminuição dos salários, entre outras medidas de austeridade implementadas no País, “prejudicaram de tal maneira que centenas de negócios acabaram. E isto, é algo que se pode tocar, ver e sentir por onde quer que se vá", diz.
E a partir daqui começa a deambulação com os arquitectos, um deles diz mesmo que “duas mil empresas tiveram que encerrar nos dois últimos anos porque o poder de compra foi destruído”.
Já numa incursão pelo Rio Douro vêem-se agora pessoas a lavar à mão a sua roupa, “porque não têm dinheiro para as máquinas de lavar", explica a arquitecta.
Além disso, somos também convidados a entrar num centro comercial e, ao som de uma música, a arquitecta explica que, tal como aquele, muitos shoppings encerrados foram aproveitados por algumas bandas.
FONTE: Jornal de Negócios